Prodest cria unidade para transformar resíduos eletrônicos em inovação sustentável
Quando equipamentos de tecnologia da informação (TI) deixam de funcionar, o destino costuma ser o descarte. Esse cenário começa a mudar no Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Espírito Santo (Prodest). Com a criação da Supervisão de Reúso Tecnológico e Sustentabilidade (Sures), inaugura-se uma nova forma de lidar com o chamado resíduo eletrônico, transformando um passivo ambiental em oportunidades para a sustentabilidade, a inclusão digital e a preservação da memória tecnológica do Estado.
A iniciativa representa um avanço inédito na administração pública estadual ao estruturar um processo seguro, legal e ambientalmente responsável para o tratamento dos resíduos de equipamentos de tecnologia da informação (Retic). Com isso, o Prodest alinha-se às exigências da agenda ESG – conjunto de diretrizes ambientais, sociais e de governança – e ao Programa Regeneratech, instituído em abril deste ano pelo Governo do Estado.
Em fase de estruturação e projeto-piloto, a Sures opera em um espaço de 46 metros quadrados, instalado no antigo almoxarifado do instituto, onde a equipe realiza a triagem inicial dos equipamentos que deixam de ser utilizados pelos órgãos públicos.
A primeira etapa da operação tem como prioridade garantir a segurança das informações. Todo equipamento recebido passa por um rigoroso processo de eliminação de dados sigilosos. Os discos rígidos que não podem ser reaproveitados são destruídos fisicamente, enquanto aqueles em condições de uso passam por um procedimento de sanitização lógica, com um software de limpeza que embaralha ou remove completamente as informações armazenadas.
Após essa etapa, os equipamentos sem possibilidade de recuperação são desmontados. Plásticos, metais, cabos e placas eletrônicas são separados por tipo de material, agregando valor aos resíduos. A expectativa é de que, futuramente, esses materiais sejam destinados a empresas licenciadas ambientalmente por meio de leilões realizados com base no peso dos lotes.
Para o supervisor da Sures, Roger Trancozo, a criação da unidade representa uma mudança de cultura na gestão dos ativos tecnológicos do setor público. “O que motivou essa iniciativa foi a constatação urgente de que os resíduos eletrônicos, que crescem mundialmente, não podem ser apenas descartados. A importância dessa ação reside em transformarmos um passivo ambiental em um ativo social, garantindo que a tecnologia sirva à inclusão e à preservação da nossa memória, ao mesmo tempo que cumprimos rigorosamente a lei e promovemos uma gestão mais sustentável e responsável”, afirmou.
Inclusão social
Além de resolver um desafio ambiental, a criação da Sures abre caminho para uma nova política de sustentabilidade no Prodest. Com a consolidação das atividades de triagem, a supervisão deverá ampliar sua atuação em três frentes estratégicas. Uma delas é a inclusão social e digital: equipamentos ainda em condições de funcionamento serão recuperados, organizados em conjuntos completos – computador, monitor, teclado e mouse – e destinados a escolas e instituições de interesse público, ampliando o acesso à tecnologia.
Outra iniciativa prevista é a implantação de um espaço permanente para preservação da memória da informática no Espírito Santo. Inspirado em experiências nacionais e internacionais, o futuro Museu da TI reunirá equipamentos históricos utilizados ao longo da trajetória do Prodest. Além de preservar a evolução tecnológica da autarquia, o ambiente poderá receber estudantes e visitantes em atividades de educação ambiental e conscientização sobre a destinação correta de resíduos eletrônicos.
A terceira frente está voltada ao fortalecimento da governança pública. A Sures atuará como unidade consultiva para apoiar as demais áreas do Prodest na adoção de critérios de sustentabilidade nas contratações de tecnologia, incentivando práticas como a logística reversa e contribuindo para melhorar os indicadores de governança ambiental do Estado.
De acordo com o diretor-geral do Prodest, Marcelo Cornélio, a implantação da Sures amplia o papel da instituição como referência em tecnologia da informação para o Espírito Santo e reforça que inovação também significa encontrar soluções inteligentes para os desafios ambientais e sociais do presente.
“Estamos construindo um modelo que une responsabilidade ambiental, segurança da informação e eficiência na gestão dos equipamentos públicos. O que antes era visto apenas como resíduo passa a ser tratado como um recurso capaz de gerar benefícios para a sociedade, por meio da inclusão digital, da educação ambiental e da melhoria da governança pública”, ressaltou.
Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação do Prodest
Eric Lopes Menequini / Tiago Zanoli Garcia
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